Eu sou Henry, filho de um Barão no forte de São Pedro, próximo à Avranches, na Normandia. Nascido no ano de 1198 do Nosso Senhor, sou o terceiro filho homem, e espero atender o convento na catedral de São Miguel em alguns meses.
Saint Michael and the Dragon Hennequin de Bruges
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Michel DeChamps, barão de Colinas de Saint Pere, é meu pai. Um homem severo e mesquinho. Quando eu tinha 10 anos me levou para Paris, e me presenteou um crucifixo, e disse que espera que eu servisse à Igreja, e deixasse a família aos 16.
Michelle Mellinde, princesa de Tylleighton, Inglaterra. Irá casar com meu irmão mais velho. Passamos um verão juntos na minha fazenda ao norte de Saint Pere. Tive desejo por ela, e passei horas de penitência na capela.
Meu tutor, Padre Bartolomeu, mandou fazer uma bíblia com acabamento em ouro, meu futuro pagamento para a Igreja. Ele colocou desenhos obscenos espalhados pelo livro, algo que ele acha engraçado, mas ainda será um problema pra mim.
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Um monstro farrapilho que fugiu da floresta negra, buscando se redimir de seus pecados e chamado Ivan, me encontrou uma noite na fazenda. Pediu para se confessar, eu não falava Alemão. Tentou me matar, mas acordei na noite seguinte, crucificado na capela. As chagas em minhas mãos e pés nunca mais se curaram.
Crucifixion 1946 Graham Sutherland OM 1903-1980
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Ainda confuso, demorei horas para me soltar da cruz, e senti uma fome desesperadora. Com agonia ouvi a voz de meu curador e amigo Padre Bartolomeu, que me procurava. Movi mais rápido que uma flecha para cima de seu pescoço gordo, abrindo as gorduras com presas que não sabia que possuía, demonstrando uma sede de sangue. Fugi da fazenda, limpando a boca com as roupas já escarlate, e chorando lágrimas de sangue.
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Eu retorno transtornado para o forte de São Pedro. No meio da noite, minha futura cunhada Michelle me encontra assustado. Ela me tranquiliza, e olha para minhas chagas, preocupada. Eu minto, dizendo que foi um ataque de lobos, mas ela não acredita, e tenta colocar bandagens. Eu digo que irei me recuperar na fazenda, e ela me visita todos os dias, trocando as bandagens, que nunca se curam. Meu desejo por Michelle aumenta.
Na segunda semana, ao rondar pela fazenda à noite, meu cavalo tropeça em uma pedra e cai. Ao tentar acalmá-lo, minhas mãos curam a perna do animal que volta a andar. Mando Michelle nunca mais voltar aqui.
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Para fugir de Michelle e seu passado, Henry vai para a cidade de Avranches se esconder. Depois de perambular pela cidade, suas roupas de semanas chamam a atenção de freiras do Leprosário de Avranches. Lá, é recebido e se esconde. As vezes usa suas habilidades para curar os feridos, mas de maneira bastante discreta. Da mesma forma, se alimenta dos doentes. A madre parece gostar da atitude de Henry, que cada vez mais se despede de sua vida na fazenda. Ele se sente seguro aqui e acha que pode se enconder no futuro, mas em breve precisará sair antes de chamar mais a atenção. Passa o nascimento do Senhor de 1214 entre os doentes.
Alguns dias antes de deixar o leprosário, recebo uma visita surpresa de meu pai, Michel DeChamp. Ele já me procurava a meses, e ao ver a minha situação e recusa de retornar a fazenda, me bate no rosto. Num acesso de fúria, arranco seu braço e rasgo seu pescoço. Os leprosos fogem da cena, e o arrependimento por confrontar a besta interior é imediato. Tento curar meu pai com as chagas, mas não funciona. Depois de alguns minutos, ele acorda, mas não é mais Mortal. Confuso, se levanta e foge pelas ruas de Avranches com uma velocidade sobrenatural.
Tenho certeza que verei meu pai novamente. Fico Envergonhado pelo que fiz, peço perdão ao Espírito Santo, e decido abandonar a cidade.
Por décadas vagrei por Avranches, lentamente esquecendo minha antiga vida na fazenda. Um dia consegui uma carruagem até Caen, na baixa Normandia. Tendo sido restaurada de volta ao Reinado da França por Felipe II, a cidade parecia um bom lugar para recomeçar.
Lá, fui notado por um antigo mestre das artes ocultas, o bruxo Xavier de Leighton. Ele descobriu minhas habilidades curandeiras, e me capturou durante a noite. Por anos me manteve preso e morrendo de fome em suas catacumbas, enquanto estudava minhas chagas. Sem noção do tempo, fui perdendo minhas memórias passadas e me transformando em um animal.
Xavier me visitava muito pouco, mas sempre me impressionou com seu conhecimento e habilidades. Ele era capaz de conjurar animais, ler mentes, ver o futuro e à distância. Seus servos o seguiam cegamente, como num encantamento poderoso. Eventualmente fui ganhando sua confiança: ele achava que também era capaz de dominar minha mente, mas não era verdade. Como seu servo, o ajudava em seus experimentos com humanos e seu sangue. Com uma gargantilha encantada eu prendia as pessoas em mesas de pedra e os preparava pra Xavier, os despindo e os limpando. Minha humanidade de esvaziava a cada vítima, e vi que Humanos são um Rebanho.
Quando descobriu sobre minha capacidade de escriba, me colocou para copiar tratados de arcanismo. Por anos fiquei trancado numa pequena sala, com os dedos escuros de tinta e com os olhos apertados e cansados. Mas num lance de sorte consegui fugir, deixando sua mansão no ano de 1312 do Nosso Senhor. Na fuga, roubei a gargantilha encantada.